15/09/2015

BRASIL: CSPB reúne dirigentes sindicais para discutir anúncio de Cortes no Orçamento de 2016

De acordo com João Domingos, desta reunião poderá, inclusive, sair decisão de, em um curto prazo, uma greve geral no serviço público.

Em entrevista à Rede Globo,  na manhã desta terça, o presidente da CSPB não poupou palavras. O líder sindical disse que caso as negociações não prosperem e o Planejamento não reabra o diálogo, o movimento sindical partirá para o Congresso Nacional onde o ambiente, segundo Domingos,  parece mais propício para reverter essas decisões, que segundo ele, foram tomadas “unilateralmente”.

Entre as principais medidas anunciadas estão o congelamento de reajuste para servidores, suspensão de concursos públicos e economia de gastos na saúde.

A intenção, segundo o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy,  é economizar R$ 26 bilhões dos cofres da União. Além disso, o Planalto quer recriar a CPMF.

O congelamento de reajuste para os servidores públicos terá um impacto estimado de R$ 7 bilhões nas despesas da União.

Acompanhe as declarações do presidente da CSPB à Rede Globo:

“As medidas anunciadas traçam um ambiente de colapso no serviço público, pois intoxica em definitivo o ambiente de negociação. A pauta não é só o reajuste, são pautas específicas, por Órgão, por categoria e nós fomos unilateralmente interrompido pelo governo. Mas se você conjuga isso com a outra medida do governo que proíbe que o servidor aposente e continue trabalhando no serviço público mediante uma gratificação específica, você retira quantidade de serviço público e prejudica a economia no próprio serviço público, pois um funcionário que ganhava uma gratificação terá de ser substituído por outro com salário inteiro, mas , principalmente, você perde em qualidade do serviço público, já que está sendo retirada experiência do próprio serv.  público.

Isso você conjuga ainda com o cancelamento do concurso público, aí você estabelece sim um horizonte péssimo; não apenas para o servidor público, principalmente para o usuário desse serviço. O Brasil é hoje um dos países do mundo que oferece menor quantidade de serviço público. Se comparado aos países desenvolvidos [ em torno de 5% contra 18% nos países desenvolvidos]. Esse ambiente então vai piorar bastante. Portanto, esta decisão nós vamos tomar hoje; vislumbramos em um curto prazo um ambiente de greve geral  no serviço público.

Então, primeiro tentaremos reabrir o diálogo, que é o que está faltando. Se o governo consultar os servidores públicos, nós o ajudamos a conter até mais despesa do que ele propôs; mas mediante as medidas corretas. Não medidas simplistas como essa.

Caso não prospere e não reabra o diálogo, iremos ao Congresso Nacional onde o ambiente nos parece mais propício para reverter essas decisões”.

De acordo com Domingos, a reação dos servidores ao tomarem ciência dessas decisões por parte do Governo, foi de extrema decepção; já que havia um ambiente favorável de negociação. “ O servidor já havia, inclusive, concordado de enviar a sua cota de sacrifício, aceitando um reajuste de 5,5% em janeiro de 2016, contra uma inflação de 2015 que hoje passa dos 10%. Então é um ambiente de decepção;  nos parece que o governo está muito mais preocupado em resolver seu problema fiscal que com o serviço público”

“Isso eu repito que o principal afetado será a popuação. Nós fazemos esse apelo para que a população entenda que massacrar o servidor público agora é receber menos e de menor qualidade os serviços públicos”. Clama o presidente da CSPB.

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