28/07/2015

BRASIL: CSPB participa do IV Fórum Sindical dos Países BRICS na Rússia

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Diretor de Assuntos do Mercosul da CSPB e secretário de Relações Internacionais da União Geral dos Trabalhadores – UGT, Wagner José de Souza

A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPB, participou, entre os dias 7 e 10 de julho, do IV Fórum Sindical dos Países BRICS na cidade de Ufá, Rússia. Dirigentes sindicais dos 5 países participaram do evento internacional. A representação sindical brasileira contou a participação de integrantes das centrais sindicais: UGT, NCST, CUT e Força Sindical. O esforço das entidades resultou na segunda maior delegação do encontro, superada numericamente apenas pelos anfitriões. O diretor de Assuntos do Mercosul da CSPB e secretário de Relações Internacionais da União Geral dos Trabalhadores – UGT, Wagner José de Souza; bem como o secretário executivo do SICOSERV da CSPB e secretário de Relações Internacionais da Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST, Mauro Zica Júnior, deram suas colaborações na defesa de pautas trabalhistas, em especial, as dos trabalhadores do serviço público. Na ocasião do Fórum, os dirigentes sindicais assinaram a Declaração de Ufá, documento oficial das Centrais Sindicais que compõe o bloco do BRICS.
 

Secretário executivo do SICOSERV da CSPB e secretário de Relações Internacionais da Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST, Mauro Zica Júnior

Os debates giraram em torno de intensificar a cooperação das entidades sindicais à agenda política e econômica dos BRICS em questões de interesse comum entre os países integrantes do bloco. O diretor da CSPB, Wagner José de Souza, destacou a insistente inadimplência do Brasil quanto a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “A 151 foi ratificada em junho de 2010 e promulgada em março de 2013, no entanto, permanece sem leis específicas regulamentem seus preceitos fundamentais como a organização sindical, a negociação coletiva e o direito de greve aos trabalhadores do serviço público”, denunciou o sindicalista.

 
Wagner também destacou alguns dispositivos elencados no documento final, no caminho da criação de mecanismos de proteção da soberania econômica dos países BRICS, tais como:
 
– A construção de independência soberana em relação ao falido sistema de Bretton Woods, com a possiblidade de explorar as reservas do Novo Banco de Desenvolvimento e do Arranjo Contingente de Reservas do BRICS, cuja capacidade global (200 bilhões de dólares) é igual à do FMI;

– Apoio sindical aos esforços de manutenção da soberania e a recomendação de que os governos dos BRICS estabeleçam a sua própria agência de Rating e uma Bolsa de Valores. Criando, com isso, alavancagem eficiente para influenciar a economia mundial;

– Estimular que os governos dos BRICS prossigam de forma mais vigorosa a reforma do FMI e do Banco Mundial. De acordo com os sindicalistas, é chegada a hora de estabelecer um controle efetivo sobre as multinacionais de grande porte;

– Recomendar que os países BRICS “tirem vantagem” dos avanços tecnológicos na direção de concentrar os esforços dos povos e dos Estados nos setores de criação e transformação, com foco no interesse de todos os estratos sociais dos países integrantes;

“Os países jamais devem se submeter à interesses financeiros particulares que vão na contramão da soberania e que comprometam desenvolvimento econômico dessas nações bem como os interesses sociais a ele agregados”, alertou o diretor de Assuntos do Mercosul da CSPB.
 
A cidade de Ufá abriga grande polo industrial de tecnologia de ponta. Na ocasião do evento, os sindicalistas foram convidados a conhecer o sistema de produção de motores de aviões caça e helicópteros de combate. “Chamou minha atenção a quantidade de jovens mulheres que seguiam trabalhando na fábrica. Estimo em mais de 50% da mão-de-obra, seguramente, maior do que a quantidade de homens que conseguimos observar na ocasião”, disse Wagner.
 
No setor de agronegócio, os sindicalistas foram convidados conhecer Fazenda Estatizada de “Alekseevsky”. Segundo Wagner, essas fazendas são obrigadas a abastecer a região e até Moscou nas demandas por produtos derivados da carne, do leite, além de frutas verduras e legumes. “Essas fazendas possuem área reservada para moradia, onde trabalhadores se abrigam em um prédio – espécie de spa – e são atendidos por serviços especializados executados por uma equipe de médicos enfermeiras e fisioterapeutas. Os trabalhadores se instalam no complexo do Spa Médico a preços módicos, realizam consulta com especialistas e, após essas consultas, irão passar por uma série de procedimentos que relaxam e curam. Me chamou atenção nessas visitas o respeito à função social da propriedade e ao compromisso com o fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento. No que se refere à liberdade e autonomia sindical, somos nós, brasileiros, que nos destacamos. Esse intercâmbio é enriquecedor e estimulante. Assim construímos, com base nas experiências compartilhadas, as melhores soluções a intervir em favor do mundo do trabalho” concluiu.
 
 
Com informações do dirigente sindical Wagner José de Sousa
 
Secom/CSPB

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