18/11/2015

BRASIL: CSPB apoia Marcha das Mulheres Negras em busca da igualdade sociorracial e de gênero

 A mobilização reuniu milhares de mulheres negras de todo o país com objetivo de aglutinar apoio social e político na busca pela equidade sociorracial e de gênero. A CSPB apoia essas demandas e levou dirigentes da entidade com objetivo de estreitar relações com lideranças do movimento.

 
A CSPB apoiou a marcha através da atuação de diretores estreitamente envolvidos em pautas sociais pela igualdade de direitos e oportunidades: “Além da nossa confederação apoiar, também luta pela unidade e igualdade para um país justo com oportunidade para todos, independente de raça, classe ou gênero”, destacou o diretor de Assuntos Legislativos da entidade, João Paulo Ribeiro – JP.
 
De acordo com a diretora de Assuntos das Mulheres, Infância e Juventude da CSPB, Cíntia Rangel de Asumpção, a Marcha das Mulheres Negras faz parte da “Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. Cíntia considera que mobilizações sociais são de “suma” importância para a construção de uma agenda positiva de combate às desigualdades. “A questão de gênero já é bastante desigual no ambiente de trabalho, nas próprias relações sociais nós ainda convivemos com um ambiente bastante hostil. Somado ao preconceito racial, o cenário se torna ainda mais cruel, complexo e difícil. Participar da Marcha é importante. No entanto, o melhor combate ainda é o exercício diário contra o racismo e o exercício diário contra o preconceito de gênero. Tenho fé de que, a partir dessas ações, seremos ainda mais eficazes na direção de mudar esse cenário”, avaliou a sindicalista.

 
A segunda-secretária da CSPB, Marly Bertolino, defende a atenção permanente dos governantes na elaboração de políticas afirmativas que possam, cada vez mais, mitigar as desigualdades raciais e de gênero que persistem na sociedade brasileira. “Nós vivemos uma desigualdade inexplicável, em desvantagem das mulheres negras em relação às mulheres brancas; bem como a desigualdade de gênero, com desvantagem das mulheres em relação aos homens. O apoio da CSPB segue a tragetória de buscar mecanismos que possam romper esse ciclo de desigualdades e reforça o caminho percorrido pela legitimação da nossa entidade junto aos movimentos sociais. A nossa base é muito diversa. Representamos negros, brancos, mulheres, homens, gays, índios e segmentos religiosos diversos. A CSPB compreende essa diversidade e acolhe, com carinho, as demandas de cada um desses segmentos”, disse.

Para a ex-ministra da Secretaria dos Direitos Humanos do Palácio do Planalto e deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), somente com forte mobilização, as mulheres negras conquistarão algum espaço para verem contempladas políticas públicas que possam reparar as “profundas” desigualdades que as acometem e lançam obstáculos ao exercício pleno da cidadania pelo segmento. “Essa é a grande exigência, mas ela vem pelo rosto e pela voz das próprias lideranças negras. As mulheres negras e os negros em geral, estão sub-representados na política e em todas as esferas de decisão. Por esse motivo, este segmento da sociedade acaba esquecido na elaboração de políticas que façam o reconhecimento cultural, e que realize uma reparação histórica da violência sofrida no nosso país. É hora de reconhecer que toda nossa riqueza tem a mão negra, inclusive pela mão-de-obra escrava que persistiu por quase 400 anos no Brasil”, argumentou.
 
Rosário elencou outras frentes de batalha para a reparação das desigualdades. “O combate pela dimensão cultural é essencial, sobretudo a valorizar as crianças e adolescentes afrodescendentes. Elas precisam se perceber como dignas e herdeiras de uma cultura milenar, absolutamente essencial para o desenvolvimento do nosso país e para a humanidade. Nisso, eu diria que a Lei que determina o ingresso no conteúdo acadêmico de nossos estudantes a inclusão da história da África e a história do povo negro, bem como a história das comunidades indígenas, a desvendar suas origens e culturas, precisa ser melhor observada pelo Ministério da Educação e pelo Ministério da Cultura”, sugeriu.
 
 
Radiografia da desigualdade
 
 
Segundo dados de pesquisas apresentadas na reunião pela representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Lílian Marques, o Brasil possui 97 milhões de negros. As informações comprovam que a pior situação no mercado de trabalho é da mulher negra. A maior parte do trabalho executado por elas no Brasil é doméstico. 95% das vagas para empregadas domésticas são ocupadas por mulheres negras.
 

Pesquisa realizada pelo Instituto Ethos, em 2010, sobre o perfil sócio-racial de gênero das 500 maiores empresas do País e suas ações afirmativas apontou que, quanto maior o nível hierárquico, menor é a presença de trabalhadores (a) negros. Apenas 13% deles ocupam cargos executivos. Nas funções de gerência estão presentes em somente 25% das vagas. Dados adiantados da mesma pesquisa, realizada este ano, mostram somente 4,7% de negros em cargos de chefia e 1,6% de mulheres negras em funções de administração ou gerência.
 
Integrantes do movimento destacaram que, no espectro sindical, a situação não é diferente. A participação feminina e negra na direção de centrais, sindicatos e federações persiste praticamente nula.
 

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