30/07/2015

BRASIL: CSPB apoia manifestação de entidades sindicais contra a alta da taxa Selic

 A Confederação dos Servidores Público do Brasil – CSPB, apoia as manifestações contra a política econômica conduzida pelo ministro Joaquim Levy, bem como considera “primordial” uma imediata auditoria da dívida pública que, conforme os últimos levantamentos, consome mais de 45% do Orçamento Discricionário do país.
 

“Orçamento, este, que deveria ser destinado para produção de bens e serviços públicos, mas que destina, como exemplo, apenas 3,8% para a Saúde e “pífios” 3,73% para a Educação. Uma aberração fiscal que precisa ser corrigida”, defende o presidente da entidade, João Domingos.
 
A coordenadora da associação “Auditoria Cidadã da Dívida”, Maria Lúcia Fatorelli, participou da manifestação no Branco Central. Fatorrelli, recentemente, recebeu convite do governo da Grécia para auxiliar tecnicamente os trabalhos para a execução de uma auditoria na dívida pública grega. A auditora fiscal apontou semelhanças quanto ao endividamento da Grécia e do Brasil, mas afirma que este é um “fenômeno” internacional que acomete quase a totalidade dos países na sociedade contemporânea. “No mundo inteiro, a questão do endividamento público vem sendo utilizada às avessas. O endividamento público teria que ser um instrumento para aportar recursos para complementar orçamentos públicos. O que temos apurado em todos os lugares que tivemos oportunidade de investigar, é que a dívida virou um esquema para transferir recursos públicos para o setor financeiro privado. Essas dívidas não possuem contrapartida real para a sociedade. No entanto, não adianta fazer discurso sobre isso, nós temos que provar essa aberração por meio de uma auditoria da dívida pública. Na Grécia, nós denunciamos os mecanismos do endividamento. Só que o poder do sistema financeiro está tão forte e disseminado, que o governo grego acabou por renunciar o enfrentamento à agenda impositiva da Troyka, mesmo depois do respaldo de sua população após um referendo que decidiu pelo NÃO às exigências dos credores do país para o pagamento da dívida. A pressão é grande. Mas, pelo futuro da humanidade, é necessário enfrenta-la”, argumentou.

O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores – NCST, José Calixto Ramos, acredita que a política econômica do governo vai na contramão de um “autêntico” ajuste fiscal a conduzir o país à um novo ciclo de desenvolvimento nacional. “Essa política  derruba a atividade econômica, deteriora o mercado de trabalho e a renda, aumenta o desemprego e diminui a capacidade de consumo das famílias e, mais, reduz a confiança e os investimentos dos empresários, o que compromete a capacidade de crescimento econômico futuro”, alertou o líder sindical

Para o dirigente sindical, Flauzino Antunes, participante de todas as manifestações contra a alta de juros do governo, o efeito direto dessa política econômica é a perda de empregos. “O aumento de juros reduz a demanda por produtos e serviços, sufocando o setor produtivo que, sem mercado, demite funcionários como meio de diminuir os custos de produção. A presidenta Dilma, durante a campanha eleitoral, denunciava que seus adversários faziam tempestade com a inflação para colher juro. Ela, infelizmente, está seguindo à risca o que tanto condenou. A inflação de hoje não tem nada a ver com a questão monetária, mas, sim, com uma questão fiscal. O governo liberou os preços da gasolina, da energia elétrica e dos impostos. Esses valores são repassados para a indústria que, ao identificar o aumento de seus custos, repassa essa despesa para o consumidor final que percebe, dia após dia, o encarecimento dos produtos na prateleira. É uma bola de neve que deságua na diminuição do poder aquisitivo do trabalhador, na redução do mercado consumidor para o setor produtivo e, consequentemente, numa espiral permanente de recessão e agravamento do desemprego em nosso país”, declarou o representante da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB.
 
Para o integrante da executiva federal da CSP-Conlutas, Almir César Filho, a melhor estratégia para o governo retomar a trajetória de crescimento econômico é seguir pelo caminho da ampliação dos investimentos em Saúde, Educação e Reforma Agrária. “Estimulando os investimentos nesses setores, conseguiremos circular recursos que mitigam a crise ao mesmo tempo que atendemos a população nas suas carências mais prementes. É nesse ponto que o governo brasileiro deveria estar atuando. Esse ajuste recessivo é, na verdade, um eficiente mecanismo de desvio de dinheiro da população trabalhadora para os banqueiros, como, também, um instrumento para compensar a queda dos lucros dos patrões da indústria e do comércio. Não dá para separar essa submissão do governo da vergonhosa permissão, no nosso país, do financiamento empresarial de campanhas. A derrubada desse financiamento privado, que está no cerne da corrupção na esfera política, é o elemento fundamental para discutirmos, com seriedade, uma reforma política efetiva a estimular a soberania democrática no nosso país”, defendeu o sindicalista.

 
O coordenador da sessão de Formosa/GO do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe, Paulo Reis, afirmou que não será possível mudanças eficazes na condução política e econômica do país sem alterar as regras da legislação eleitoral. “Não devemos submeter o poder público aos ditames do poder econômico. Parcela significativa dos nossos políticos, que receberam vultuosos recursos do mercado financeiro nas campanhas eleitorais, hoje se ajoelham à essa política que beneficia os banqueiros, operadores do sistema financeiro, credores da dívida pública e do Tesouro Nacional. Enquanto isso, os trabalhadores pagam a conta com o aumento da inflação, com o arrocho salarial e com demissões em massa no mercado de trabalho. É impossível superar a crise sob esses parâmetros”, disse. 
 

 

Auditoria Cidadã da Dívida Pública

 
Fatorelli denunciou o salvamento de bancos ocorrido após a crise de 2007/2008, como o mais importante fator de agravamento da crise internacional. “ A dívida da Grécia, não beneficiou a Grécia. Ela beneficiou os bancos que têm sido salvos com recursos públicos arrecadados, sobretudo, dos trabalhadores mundo afora. Essa usurpação do instrumento do endividamento público, está sendo paga com políticas de austeridade a subtrair direitos trabalhistas e sociais da população. Um cenário que favorece a concentração de renda em detrimento do desespero e do sacrifício de milhões de famílias”, disse.

 
A auditora fiscal alertou para as graves consequências que podem atingir o Brasil, caso o governo persista na condução da política econômica pela lógica neoliberal de favorecimento do mercado financeiro. “Aqui no Brasil nós pagamos as maiores taxas de juros do mundo, sem justificativa econômica, política, financeira ou técnica. É uma deliberação para transferir recursos públicos para o setor financeiro privado. Com esse sacrifício todo de arrocho inserido no pacote do ajuste fiscal, nós temos pago apenas uma parte desses juros. A maior parcela está integrando o volume da dívida fazendo ela aumentar, provocando uma pressão enorme para continuidade das privatizações. Então, a população brasileira está submetida a um sacrifício enorme, pagando parte dos juros em dinheiro com a maior parcela sendo paga pela contínua entrega de patrimônio. Precisamos de uma trégua nesse ciclo para questionarmos: que dívida é essa? Precisamos separar que parte realmente devemos para fazermos um expurgo de toda a dívida ilegal, ilegítima, errada ou fraudulenta. Assim encontraremos um caminho eficaz para que os recursos públicos cheguem aonde devem chegar: para a Educação pública, para a Saúde pública, etc….”, concluiu.

 

Expectativa do mercado
 
 

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define nesta quarta-feira (29) a Selic, a taxa básica de juros.

A expectativa do mercado é de uma alta de 0,5 ponto percentual, o que faria com que a Selic subisse dos atuais 13,75% para 14,25% ao ano, segundo o Boletim Focus.

O referido boletim é uma publicação do BC que organiza as projeções das principais instituições financeiras do país.

 
Secom/CSPB
 

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