Institucionais
FALECEU NOSSO COMPANHEIRO HÉCTOR MÉNDEZ

Héctor Méndez, secretário da Presidência da CLATE e secretário de Comunicação da ATE, faleceu nesta quarta-feira (23).

25/11/2016

"Um amigo é você mesmo, mas com outro couro”


O secretário de Comunicação da Associação Trabalhadores do Estado (ATE) da Argentina e secretário da Presidência da CLATE, Héctor Méndez, faleceu nesta quarta-feira (23), em Buenos Aires. Familiares, amigos e companheiros de luta deram o último adeus ao dirigente em uma cerimônia na sede do sindicato.


Darío Fuentes


Nesta quarta-feira (23) Héctor Méndez nos deixou. Um militante integral. Um homem distinto. Um jogador de todo o campo. Fanático do River Plate, da chacarera santiaguenha, do automobilismo e do bom Malbec, o nosso querido Héctor, o “el viejo”, como o chamávamos, faleceu com apenas 67 anos. Como dizia Bertold Brecht, Héctor é um dos “imprescindíveis”, esses que lutaram a vida inteira. Um maestro, um amigo, um companheiro (quase um pai para quem escreve estas linhas), nos deixou como legado suas convicções, seus conselhos, sua paixão e a alegria de lutar pela utopia de um mundo mais justo.


Na sede nacional da ATE que ele tanto amava, pudemos dar-lhe o último adeus. Sua esposa, Ana, seus cinco filhos, genros, noras e netos acompanharam a cerimônia que se realizou no Salão Federal com a presença de militantes e dirigentes do sindicato, da CTA e da CLATE. A confederação esteve representada também por seu secretário-geral, o uruguaio Luis Bazzano, que viajou imediatamente a Buenos Aires para participar da homenagem. Não faltaram seus amigos e amigas da vida.


Também não faltaram as saudações que chegaram de diversos cantos do mundo, em especial da nossa Pátria Grande, da América Latina e do Caribe: do Brasil, do México, de Cuba, do Peru, do Uruguai, do Chile, do Paraguai, de El Salvador, da Colômbia, do Equador, da República Dominicana. Também da Bélgica, da Itália e da Espanha, da Embaixada de Cuba na Argentina e de centenas de militantes do nosso território, de Ushuaia até La Quiaca.


Na despedida final, Julio Fuentes, que além de ser secretário-geral adjunto da ATE e presidente da CLATE, era um dos melhores amigos de Héctor e seu companheiro de luta há mais de duas décadas, tomou a palavra. “Dom Atahualpa Yupanqui contou que uma vez, em uma conversa ao redor de um fogão do campo da província de Buenos Aires, ao qual Héctor orgulhosamente pertencia, perguntaram a um velho sábio: - O que é um amigo? E este homem respondeu: - Um amigo é você mesmo, mas com outro couro. Assim quero despedir este companheiro que nos ensinou, a um grupo de militantes da província de Neuquén, sobre marxismo, sobre classismo, sobre Cuba, sobre a revolução, sobre o movimento nacional, sobre como pensar uma sociedade distinta, sobre homens e mulheres livres”, contou Fuentes. Ao lado dele, a esposa de Héctor Méndez e seus cinco filhos, escutavam.


O secretário-geral da ATE, Hugo Godoy, manifestou, emocionado: “Tenho três ou quatro imagens na minha memória desse militante que foi o Héctor. Mas quero ficar com uma, que é a do afeto, a da possibilidade de buscar sempre um espaço nesta voragem que é a vida sindical, a luta no sindicato, que às vezes é um verdadeiro moedor de carne. Ele sempre buscou um espaço para se posicionar de outro lugar, o lugar do humano e do afeto, sem nunca falar mal dos outros, sempre buscando encontrar o melhor de cada um de nós”.

 

Dezenas de militantes o despediram com um emotivo aplauso após cantarem a famosa música de Carlos Puebla, “Hasta siempre, Comandante”.


O “velho Méndez” nos deixou. Um irmão e um maestro da militância e da vida. Poderemos encontrá-lo em uma chacareira, em um bom vinho, em um gol do River, em uma caixa de alfajores “Havanna”, com os quais ele adoçava a vida, na “marchinha peronista”, que ele tanto gostava de cantar, em um rom cubano, em alguma rua da nossa Pátria Grande lutando por alguma utopia.


A trajetória de Héctor no sindicalismo foi vasta. Foi secretário-geral da junta interna do Hospital Castro Rendón de Neuquén (1988), secretário administrativo do Conselho Diretor Provincial da ATE Neuquén (1991), integrante do setor de Saúde da ATE junto com Carlos Casinelli (1993), secretário do Interior do Conselho Diretor Nacional da ATE (1999 e 2003), vogal do Conselho Diretor Nacional da ATE (2011), secretário da Presidência da CLATE (2012) e secretário da Comunicação da ATE (2015). Além disso, foi pioneiro fundador da Pastera, o Museu do Che que a ATE administra em San Martín de los Andes, na região sul da Argentina.

 



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